Spoilers, Requiem, Cartas e uma campanha.

Posted: 10th dezembro 2010 by Gun_Hazard in RPG
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Olá caros e raros leitores.
Na recente aventura narrada sábado dia 4 de dezembro (tá legal, nem é tão recente, mas não deu tempo de escrever antes), Aconteceram mais algumas coisas dignas de nota…
Resumidamente, matei mais um personagem, testei novamente as cartas no lugar dos dados e constatei que meus jogadores só enxergam uma solução aparente.

Vamos aos pormenores já tinha dito no comentário passado, sobre meus jogadores vou citar aquí para ficar mais claro

“Os personagens se atracam com a criatura, mas sem conseguir produzir nenhum tipo de ferimento aparente nela.

“O Sistema tem funcionado muito bem, os jogadores já estão mais familiarizados com ele, mas ainda tem vícius do D&D. Eles insistem em simplesmente tentar vencer TUDO (inclusive uma elfa camponesa sem nível) na porrada. Um pena, pois isto cedo ou tarde vai acabar por causar a morte de mais um personagem.

Parece que foi uma previsão…

O Jogador do Meio-Vistani Bardo demorou para chegar e como de costume iniciamos sem ele, já no meio da batalha passada. Pensei ter deixado claro o fato de que a criatura seria práticamente imune aos ataques deles… Deixa eu ver… É deixei sim, inclusive insinuei isso no post passado como atesta a citação acima, mas voltando…

Vou falar da parte Técnica da coisa:
Era um Humano com força e resistência sobrenatural, mas precisamente um “Slasher”. Os jogadores eram nível 3 então construi o adversário com 2 níveis de combatente, Força e Constituição 20 e os atributos 10 (Detalhe que apesar de ser TRUE20 optei por usar o sistema de Atrinutos do D&D com atributos iniciais de 3 à 18 e não o padrão do TRUE20 que seriam só os Bônus relativos), mas o detalhe é uma redução de dano que dava um Bônus de mais 10 ao “Salvamento de Resistência” (Toughness), somados ao da Constituição ficariam +15 no salvamento, os dois melhores combatentes conseguiam danos de +7 ou seja um CD de 22 para um cara com +15 no dano ele falharia somente com resultados 6 ou menor e mesmo assim dispunha de 2 pontos relativos de convicção para gastar na habilidade de combatente de Zerar os Ferimentos.
Ou Seja, era sim uma luta que eles não poderiam ganhar no braço.
Até porque estava usando o sistema de Cartas em vez de Dados, que explicarei mais adiante…

É óbvio que o intuito era gerar uma cena clássica de perseguição, os jogadores presos sem poder escapar do local deveriam ficar fugindo, quase que em círculos e tentando descobrir mais informações sobre a criatura e como destruí-la. Que haveriam duas clausulas de evasão para a aventura, uma era encontrar o esconderijo do adversário, um túnel subterrâneo onde ele guardava todos os utensílios das duas casas e um facão que seria a única arma capaz de atingir a criatura (coisa que eles saberiam devido a um flash de visão do feiticeiro), outra seria destruir o esconderijo com ele dentro (fácil, pois ele tentaria defender ele) e a última seria totalizar 5 mortes (4 já foram dos membros da caravana havia um foragido se escondendo então a 5 morte poderia ser de um dos jogadores).
Mas eles fizeram o que seria o mais idiota a fazer, ficaram teimando em atacar a criatura o tempo todo. Com o esquema de cartas eles gastaram acertos críticos contra a criatura e não viram resultado. Se você gasta seu melhor ataque e ele não surte efeito o que você faz? Insiste em ficar gastando ataque que são obviamente mais fracos e ineficientes?
Pois é…
Bom… fora isso o nosso intrépido guerreiro ficou “Disebled” o equivalente a Zero pontos de vida, por precaução expliquei de novo as regras, que ele só poderia fazer uma ação padrão ou de movimento por rodada ou cairia Moribundo “Dying”. Ele Vira e me diz, “Vou ficar em ‘Defesa Total’”. Eu relembrei “Defesa Total é ação de Rodada Completa” ele responde “Eu sei!”.
Deixei ele entrar em defesa total e no fim da rodada ele cai moribundo, e como um jogador esta também “Disebled” e longe e o outro bem mais longe o inimigo fez um belo golpe de misericórdia nele. Quando os jogadores iriam voltar a ficar atacando até morrerem também eu intervi e disse “Agora a única chance de vocês ferirem ele é se sair uma carta Az, 2, 3 ou 4 Pretas. Vocês acham que aguentam até quanto tempo mais?” e dei um tapinha no meu monte de cartas que ainda não estava na metade.
Nisso chega nosso Meio-Vistani, os dois outros jogadores haviam descoberto um túnel sob a casa menor e tinham fugido por ele o meio-vistani que estava no telhado fugiu também e depois encontrou os outros dois.
Daí eles resolvem investigar a casa maior. Descobrem uma casa de dois andares, vasculham o 1º andar e notam que como a anterior não há nenhum utensilhos ou nada menor que uma poltrona ou estante. Ainda no 1º Andar eles ouvem a aproximação do adversário e fogem para fora, onde tem a idéia de incendiar a casa, jogam óleo na varanda e o Feiticeiro e o Clérigo (que também tinha Controlar Fogo) ficam sustentando magicamente o fogo ampliado por 8 Rodadas (estava muito frio, e nevando).
Tempo suficiente pro Adversário fugir pelas passagens subterrâneas que os jogadores tiveram a infelicidade de não achar. E dar a volta para surpriendê-los pelas costas.
O meio-vistani avista ele antes e tem a brilhante idéia de usar sua ocarina para fascinar o adversário enquanto os colega incendiavam a casa. Tática que funcionou muito bem. Mas depois do primeiro uso se esgotar o meio-vistani tenta de novo e depois de verem que o fogo ardendo sozinho o feiticeiro dispara um virote no adversário quebrando o efeito do fascinar e sendo nocauteado pelo adversário, o meio-vistani tenta novamente fascinar e consegue de novo, mas novamente o efeito é quebrado pelo Clérigo conjurando arma elemental em sua adaga.
Nisto o Meio-vistani tinha gasto todas suas melhores cartas na tentativa e tinha ficado com apenas um 6, 4, 3, e 1. Resultados que não garantiriam sucesso, então ele teve de ficar “queimando” suas cartas em ataques que ele sabia que iriam errar apenas para depois receber uma nova “Mão de cartas”.
Na última tentativa ele consegue fascinar o adversário e implantar a sujestão de fugir para o meio do bosque. Tempo do clérigo reabilitar o feiticeiro e fugirem os três do local. Devido o fato do Guerreiro ter sido a 5ª morte eu comecei a narrar que os jogadores haviam voltado a ouvir sons de animais a noite, coisa que não havia ocorrido desde que eles ficaram presos na repetição do cenário. Eles deduziram (infelizmente com ajuda do mestre e uso dos pontos de convicção restantes do grupo) que isso poderia ser um indicio de que as fronteiras estariam abertas novamente.

O Requiem.
Apesar do texto estar longo achei válido um parênteses sobre o personagem morto.
Era um guerreiro de Forgotten Realms que na luta contra seu irmão que o traiu e se revelou um seguidor de Bane. Foi tragado pelas Brumas para Ravenloft . Depois de dos anos se adaptando e procurando pistas do seu irmão ele já estava começando a sofre os efeitos das Brumas e já quase não se lembrava mais de sua terra de origem.
Quando encontra os demais personagens e decidem enfrentar uma jornada contra as criaturas sobrenaturais e mortos-vivos ele reencontrou um antigo colega de infância.
O Spolier é o seguinte:
– O Colega estava com a fisionomia igual ao que o personagem se lembrava apesar dele mesmo ter envelhecido uns 11 anos.
– O colega só aparecia quando o personagem estava longe dos colegas de grupo (na Taverna, a noite para dar um recado)
Futuramente o colega iria começar a passar informação a respeito do que os jogadores estavam buscando na campanha e talvez alertando sobre atitudes “Suspeitas” dos colegas de grupo dele, aumentando a paranóia do jogo.
Também iria começar a fornecer indícios de um suposto cavaleiro de Bane que estaria espalhando terror por ai e que muito provavelmente se trataria do irmão do personagem.
A verdade é que o colega seria um reflexo da loucura do personagem (que havia se tornado esquizofrênico). Ele colocaria idéias paranóicas e faria todo o possivel para o personegm insistir na sua busca pelo irmão traidor. Que poderia ser um ou mais servos de Bane, mas nenhum seria realmente o irmão do personagem, que aparentemente nunca teria vindo para Ravenloft. O colega de verdade havia morrido em Forgotten quando ambos eram jovens e o personagem estava lá quando encontraram o corpo, mas sua mente havia bloqueado tal fato e inventado esta ilusão do colega para se manter firme no que ele acreditava ser real. mas infelizmente isso foi disperdiçado pro uma morte que poderia ter sido evitada pelo jogador por umas 4 maneiras diferentes durante o jogo.

As regras E as Cartas.
Como disse testei de novo usar cartas em vez do D20, da seguinte maneira:
2 Baralhos Completos na Cor Azul para os jogadores e 2 Vermelhos para mim.
Cartas de Naipe Preto eram o valor expresso, Cartas de naipe Vermelho valeriam o Valor Expresso +10 Assim o 4 Vermelho Valeria 14 o 10 Vermelho valeria 20.
Os Curingas eram um Acerto Critico garantido.
Cartas de Figuras (Reis, Valetes e Damas) independentes do Naipe valeriam 10. A fim de garantir que o valor médio fosse o de maior incidência no jogo.
Cada jogador Receberia 10 Cartas e poderia usar na sequência que desejasse (embora o jogador do Feiticeiro tenha optado por jogar sem olhar as cartas). Quando esgotassem as cartas de um jogador ele receberia outras 10 e as 10 descartadas por ele seriam embaralhada de novo no monte.
Eu estava sempre descartando a carta de cima do meu monte, sem olhar.
O Resultado foi satisfatório para mim e 3 dos 4 jogadores.
O objetivo era deixar na mão dos jogadores quais momentos eles arbitrariam serem os mais ideais para obter um sucesso e medir a possibilidade de obter um sucesso em determinada manobra/ação.
Para o jogo com esta abordagem de ‘contar história’ isso combina muito bem.
A Falha foi exatamente nos jogadores insistirem em uma abordagem errada, achando que para esse jogo bastava uma sequência de acertos críticos para resolver o problema. E mesmo um dos meus jogadores (o do clérigo) tendo lido e comentado a matéria passada ele não percebeu que indiretamente eu havia avisado que não iria funcionar daquele jeito.

PS: Há uma piada velha sobre Star Wars RPG:
“Um Jogador tenta aparar um sabre de luz com as mãos nuas e acaba tento a mão decepada, ele vira pro mestre e diz: “Eu tento de novo com a outra mão!””
Depois do colega perder um personagem de forma burra por ficar insistindo em tentar resolver tudo na base da porrada ele começa a fazer outra ficha. Advinhem do que ele vai jogar? Anão Guerreiro.

  1. balard disse:

    Jogador é burro assim mesmo. É bizarro o número de dicas q vc tem q dar pra eles começarem a pensar em outras soluções q não porrada. Acho q é do D&D…

    Mas uma crítica. Na hora que eles pensaram em botar fogo na casa, eu teria fechado a aventura ali. Foi uma idéia boa, q só não deu certo pela infelicidade deles não terem descoberto o túnel. Ia ser bem mais satisfatório para eles. Talvez voltasse com o inimigo mais tarde, mas seria uma recompensa pra finalmente terem dado uma idéia.

    Esse método de “deixa os jogadores resolverem o problema” dá ótimos resultados. Mas eu ainda faço mais o mesmo que você q a minha própria dica, mas tenho melhorado ^^

  2. Gun_Hazard disse:

    A Idéia da casa foi boa, pois atrairia a atenção do Slasher, mas o “Refúgio” dele era um pouco mais a direita da Casa Grande.

    E como inicialmente a idéia era a de Repetição se o outro jogador ainda estivesse vivo eles iriam entrar por um lado da estrada ou bosque e sair do outro apenas para constatar que a casa esta do mesmo estado de antes deles tacarem fogo.

    Está é a maravilha dos “Domínios Bolsões” de Ravenloft…

    A Idéia Genial foi exatamente o Fascinar…

    Pois é meio que a tática usada no Sexta-Feira 13 parte 2. Da mina tentar enganar ele tentando agir como a mãe dele. Mas dúvido que o jogador tenha este tipo de referência.

    Foi um chute de sorte, pois o salvamento de vontade dele era +1, mas os jogadores não tinham tentado explorar esta vulnerabilidade.

  3. kleber disse:

    morrendo e aprendendo.