Como ser um grupo?

Talvez este seja uma das questões que mais atrapalham o grupo de jogadores…

Como Ser um grupo?
Como fazer este grupo funcionar?
Como fazer com que o Grupo trabalhe junto?
Como fazer para que haja concórdia entre personagens muito diferentes?
Como fazer para que todos tenham seu espaço e ninguém se frustre no jogo?

Bom, vamos as indagações e sugestões:

– Como Ser um Grupo?
A Maior parte deste problema (E boa parte dos demais também) pode ser resolvida durante a criação dos personagens.

Um grande problema é o pensamento individualista, ou seja, a grande maioria dos jogadores pensa apenas no seu personagem e não em como ele irá funcionar junto com o grupo.

Isto pode ser resolvido da seguinte forma, pergunte ao mestre e outros jogadores quais os tipos de personagem que já existem na mesa. Talvez uma mesa com dois magos ou  dois guerreiros sejam funcionais, mas uma com 4 Ladinos já é mais complicado…

Tente ver quais as opções estão disponíveis e qual se encaixa melhor para o tipo de personagem que você gosta de jogar, caso todas já estejam preenchidas e uma repetição fique sem graça ou acabe causando algum tipo de desconforto para o grupo, por exemplo, falta um mago no grupo e o mestre diz que seria interessante que houvesse algum, converse com os outros jogadores alguém que goste de jogar com magos ou feiticeiros e veja se ele pode ceder desta vez e fazer um personagem diferente do que ele tinha pensado a principio.

Neste tipo de preparação inicial, uma conversa franca com o mestre é essencial, para que os jogadores preparem seus personagens de acordo com o tipo de aventura/campanha que o mestre irá narrar.

Outro grande problema que ocorre na criação do grupo proveniente do pensamento individualista é o costume de se criar ‘Lobos Solitários’ aqueles personagens que vivem sozinhos e são praticamente contra trabalhar em grupo. Ter um ou dois (Em casos de grupos muito grandes), pode ser legal mas geralmente a dor de cabeça que isso causa no grupo não vale o esforço.

Esta tática de ‘Lobo  Solitário’ é recomendada ser utilizado de vez em quando e de preferência em grupos que já se conhecem e jogam juntos há algum tempo.
 
O Grupo pode combinar entre si quem já anda junto, quem já se conhece entre outras coisas, algumas vezes pode ocorrer de todos serem desconhecidos talvez até por uma questão de histórico, mas os Jogadores têm que ter em mente que isso não pode ser um impedimento para eles trabalharem em grupo.

– Como fazer este grupo funcionar?
Boa parte de deste problema já é resolvido caso o grupo tenha feito direito a parte de criar personagens juntos.

Em um grupo geralmente cada um sabe fazer algo diferente (Pelo menos deveria pois a diversidade é uma grande arma de um grupo funcional), então cada membro será importante dentro de sua função/especialidade.

Para o grupo funcionar é necessário um pré-acordo entre os personagens para antecipar “quem faz o quê?”.

Quem irá tomar uma ação diplomática quando surgir uma ocasião, quem deve tomar a frente no combate, quem deve se preocupar em dar suporte e cura aos amigos necessitados, quem deve ser o responsável para entrar em um lugar sem levantar suspeitas, quem é o responsável por colher informações, quem é o responsável por cuidar de assuntos míticos, quem é o responsável pela sobrevivência em lugares inóspitos.

Pode parecer ridículo dizer isto mas não é, muitas vezes é importante que cada um saiba o que tem de melhor para oferecer ao grupo e não tentar fazer o que não é sua especialidade e muito menos tentar fazer tudo . É meio ridículo ver o Mago do Grupo dando um Grito de Guerra e partindo para o ataque antes do Guerreiro, lembre-se que cada um tem o seu lugar se você quer se jogar em todas as batalhas que ocorrem então faça um guerreiro e não um mago

– Como fazer com que o Grupo trabalhe junto?
Em geral o conceito de Grupo são o de indivíduos que se ajudam mutuamente para atingirem os mesmos objetivos.

Isso já resume um “Porque é importante que o grupo trabalhe junto”.

É preciso que os jogadores tenham esta consciência, de que precisam da ajuda de um do outro. Isso pressupõe que um ajude o outro quando precise colocando em risco a vida do personagem e ter a consciência de que isto é recíproco.

Claro que isso ocorrer na prática é meio complicado…

Isto pode ocorrer caso um personagem não esteja ajudando o grupo de maneira adequada então como forma de retaliação geralmente o grupo também não irá auxiliá-lo quando ele precisar. Neste caso ele que tem que rever suas ações e passar a ser mais colaborativo, para poder receber o mesmo tratamento de volta.

No caso de um jogador que simplesmente por medo de ariscar um personagem ou por outro motivo pouco louvável, ou injustificável, deixa um jogador na mão então ele tem de estar sujeito a sofrer as consequências desta quebra de confiança, que pode vir na forma de uma repreensão verbal por parte dos personagens, a não divisão dos espólios, a não cooperação dos outros membros para com o ‘traidor’ ou em casos extremos o banimento do grupo, ou outra ação que não posso sugerir neste texto, mas envolve o personagem fazer outra ficha de personagem também…

Como foi falado na parte de criação dos personagens geralmente estes problemas tendem a não ser frequentes caso todos os personagens já se conheçam e sejam amigos…

A questão do líder.
Este é um assunto particular de grupo para grupo.

Muitos preferem escolher um líder, outros não escolhem mas alguém sempre acaba assumindo esta função, outros se entrosam tão bem que isto é desnecessário.

A vantagem de um grupo ter um líder é que muitas vezes quando um assunto é contraditório a decisão acaba ficando para uma única pessoa e o conflito é resolvido.

Outras vezes pode ocorrer da existência de um Líder ser um Problema em si, pois um ou outro acaba contestando a autoridade do líder e gerando mais conflitos, inveja, desentendimentos e pode vir a causar mais problemas do que diversão. Aí novamente temos o tratamento da “Terapia Familiar”, Sentem e Conversem…

Ser o líder do grupo é complicado por isso é legal que vocês se conheçam e conversem sobre o assunto.

Ser o líder também, implica em talento natural e prática, ou seja não basta querer tem que saber fazer, se você ou o seu grupo notar que você não dá para a coisa, seja humilde e passe a bola para outra pessoa, é o melhor que você pode fazer.

Ser o Líder do grupo significa mediar e não dar ordens, também implica tomar decisões (De preferência junto com o grupo) e não falar em nome do grupo ou tomar todos os diálogos, por exemplo, nada impede que um personagem mais social assuma uma discussão importante e consulte o líder para saber que decisão tomar…

– Como fazer para que haja concórdia entre personagens muito diferentes?
Uma dica básica é evite personagens muito opostos.

Mas como invariavelmente este é um conselho não muito seguido, então vamos a outros…

“Nem tão diferentes assim”. Em vez de focar nas diferenças reforce também as semelhanças, crie laços em comum que faça com que eles apesar das diferenças tenham razões para agirem juntos. Por exemplo, apesar de terem objetivos e personalidades diferentes tanto Henry quanto Joe tem a mesma paixão por lutas e acabaram se entendendo mais com armas na mão do que conversando.

“Motivos iguais”. Faça com que o objetivo das duas (ou mais) partes leve invariavelmente para o mesmo lugar ou objetivo final. Por exemplo, Josef  está à procura de vingança contra o Regente do condado vizinho e Mark é o líder de um grupo que também precisa impedir que o mesmo regente faça um pacto com uma entidade maligna e abra um portal para este mundo, mesmo não gostando um do outro eles se juntam para poder derrotar o inimigo comum.

Se os jogadores forem inteligentes eles mesmos saberão agir de forma a facilitar o convívio em grupo.

Deixe claro que há espaço para todos desde que ajam em grupo.

– Como fazer para que todos tenham seu espaço e ninguém se frustre no jogo?
Aqui a dica principal é para o mestre fazer com que cada membro do grupo tenha sua função necessária e valorizada.

Crie situações onde a função de cada um seja necessária, crie armadilhas para o ladino desarmar, crie missões furtivas para os jogadores furtivos agirem, crie eventos místicos que só podem ser solucionador por místicos, crie situações onde apenas a fé pode solucionar, crie intrigas e missões diplomáticas, que precisem de raciocínio e lábia e crie Combates para agitar as coisas e fazerem os dados rolarem. Claro que as opções são muitas, mais do que estes exemplos simples mas lembre-se de que cada jogador espera algo do jogo e cada Personagem tem uma função dentro do grupo. 

Mas de nada adianta o Mestre criar uma situação diferente para cada um se um dos jogadores teima em tomar a frente e fazer tudo do seu jeito.

Para “Jogadores Onipresentes” a dica é “Fique na Sua!”.
Deixe que os outros se divirtam também.

Mesmo que você não concorde com uma ação, que seja a seu ver errada, não roube a diversão dos outros, deixe eles agirem e depois do jogo (Ou em jogo, em um momento futuro) discuta os rumos tomados e tracem novas estratégias para estas situações.

No Caso dos “Jogadores Onipresentes” não se segurarem e insistirem em impedir outros de agirem conversem com ele e tentem mostrar que ele está atrapalhando mais do ajudando. Se nem assim o sujeito não se tocar então é hora do mestre intervir e dizer “NÃO”, quando ele começar a atrapalhar basta o mestre dizer “Não! E fica na sua que agora é a ação dele, depois você faz o que quiser na sua vez”.

Resumindo.
RPG é um jogo de para se jogar em Grupo.

Muitas vezes, principalmente no D&D é importante que os personagens tenham esta noção de grupo, sem um grupo (De jogadores e de Personagens) é difícil que o jogo seja proveitoso para todos e se alguém não está se divertindo, algo está errado…

  1. Arcano disse:

    Muito Boa Matéria…
    É de matérias assim que a blogosfera precisa.
    Dicas de Mestre!!!

  2. Maíra disse:

    Muito boa a matéria. Já tivemos uma campanha interrompida, muito por falta desse pensamento de grupo. O jogador interpretava muito bem o seu personagem. Mas isso custou a campanha. Será que vale a pena?

  3. Muito bom a matéria, isso inclusive serve de base para a questão “como ter jogadores de tendências opostas no mesmo grupo”. Basta os jogadores conversarem extra jogo razões para se unirem.

    Não adianta, como a Maíra citou, você ter um char 100% bem interpretado e isso levar o jogo ao fim. A diversão está no grupo.

    =)

  4. Gun Hazard disse:

    Sejam bem vindos Arcano, Maíra e Edson.

    Obrigado pelos comentários, espero conseguir fazer mais textos que possam ser do interesse.

    Estou aberto a sugestões…