Como Criar Antagonistas?

Posted: 22nd janeiro 2009 by Gun_Hazard in RPG
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Como Criar Antagonistas?

Todos vocês que já Assistiram um filme/desenho leram um livro ou jogaram alguma aventura pronta já devem ter notado o quanto um antagonista pode ser interessante.

Seja como aquele vilão que os personagens não conseguem enfrentar até certo ponto da história, seja como aquele rival que a todo instante atrapalha o grupo, ou aquele misterioso personagem o qual os outros personagens não conseguem definir as intenções, sem saber se é um aliado ou um inimigo.

Muitas vezes o antagonista chega a ser mais interessante do que um NPC importante ou um aliado famoso.

Mas como você Mestre pode conseguir criar um antagonista digno de ser lembrado, amado e odiado ao mesmo tempo?

E o pior como fazer para que ele não seja destruído pelo grupo poderoso e logo esquecido?

Esta é uma tarefa difícil talvez até mesmo mais difícil do que criar um NPC fodão que no máximo será ignorado pelos Personagens e Jogadores.

Para tentar ajudar neste sentido serão descritas pequenas dicas às vezes seguidas de um exemplo conhecido para facilitar o aprendizado.

1º Dê uma Razão ao antagonista.

Todo mundo tem uma motivação para agir de alguma maneira, certa ou errada, mas todos têm seus motivos.

Às vezes o motivo que move o antagonista pode dizer muito a respeito dele e vai influenciar a maneira como ele é visto pelos personagens.

A Motivação do antagonista não precisa ser real nem verdadeira pode ser uma fantasia uma ilusão ou uma farsa na qual ele acredita.

Entre os Exemplos mais básicos temos a vingança, o amor, o ódio, uma fé ou crença, uma ideologia, uma cultura entre outros.

Entre exemplos práticos temos:
– Alexia da Trilogia O Fogo das Bruxas (Uma das antagonistas mais marcantes do RPG), ela viu sua mãe ser acusada de bruxaria e executada injustamente, isto a tornou uma obsessiva por ressuscitar sua mãe e por vingança pelos responsáveis pela morte dela.
– Um Membro de uma determinada Região/pais que nutre um ódio racial contra os membros de uma certa nação ou Religião.
– Outro exemplo seria o Samurai Honrado que serve a um mestre cruel, seu senso de lealdade para com seu mestre é maior do que sua consciência.
– Um Personagem que é rival amoroso de um outro personagem do grupo e faz de tudo para prejudicar o seu rival ou atingir os objetivos antes dele.
– Um ex-amigo de um dos personagens, mas que se vê inimigo dele devido a uma guerra entre os paises de ambos.
– O Antagonista é Simplesmente um egoísta (ou é mau mesmo) que Odeia tudo e deseja Poder acima de tudo. (É Simples, mas abrange 50 % dos antagonistas).

2º De um motivo para os Personagens e jogadores irem contra o antagonista.

Não basta apresentar o Antagonista é necessário apresentar um motivo de conflito entre o antagonista e os Personagens e Jogadores. Se o Mestre não der um motivo para os Personagens e Jogadores serem contra o antagonista então ele não será um antagonista, mas sim um mero NPC.

Estes motivos vão depender muito do Grupo, estilo de jogo e contexto da campanha ou aventura.

Os motivos do conflito podem ser causados pelos Objetivos em si ou por causa dos meios empregados para se cumprir estes objetivos.

Por exemplo, um líder de uma raça que deseja subjugar uma outra são os objetivos em si que são opostos. Já um personagem que procura derrotar um inimigo em especial e que está disposto a passar por cima dos Personagens para isso é um exemplo de um meio de se atingir o objetivo que irá gerar o conflito.

Entre os exemplos práticos temos:

– O Clássico conflito Bem Vs Mau os personagens São de uma tendência e o Antagonista de outra (Simples, mas funciona. Principalmente em aventuras e campanhas mais simples ou menos pretensiosas).
– Reino Vs Reino, Os personagens e o antagonista pertencem a reinos diferentes e que são inimigos.
– Raça Vs Raça, Idem ao acima.
– Religião Vs Religião, Idem Também. Não precisa de mais exemplos do tipo já deu para pegar a essência da coisa…
– Concorrência, o Antagonista é rival dos Personagens, ambos podem ser Mercenários contratados por facções diferentes para recuperar o mesmo artefato.
– Objetivos diferentes, o antagonista luta por um objetivo oposto ao dos personagens. Exemplo um lado luta para manter o governo e o outro para derrubá-lo. (Nesta opção muitas vezes pode se substituir os conflitos morais por simples pontos de vistas diferentes).
– Métodos Diferentes, a maneira de um dos lados agir vai contra os ideais do outro lado. Como exemplo temos O Justiceiro e o Homem-Aranha, ambos combatem o crime, mas o Homem-Aranha nunca mata e o Justiceiro por outro lado…
– Parte de um todo: O conflito muitas vezes não é o foco mais uma parte de algo maior. Por exemplo, os jogadores precisam de um artefato para concluir uma missão o problema é que o detentor do artefato não está disposto a ceder.

Exemplos práticos são
– Alexia do Fogo das Bruxas (Sim ela de novo), que tem como objetivo se vingar da injustiça cometida contra a mãe dela. Não seria uma antagonista se para realizar isto ela não tivesse que destruir uma cidade inteira.
– Kitiara, a ex-amiga dos Heróis da Lança, mas que luta ao lado do exercito da Rainha das Trevas. Seu único objetivo aparente é conquistar poder.
– Sir Mordred, Filho Bastardo do Rei Arthur, pretendente ao trono e um dos principais responsáveis pela queda da Távola Redonda.
– Asharan do Lodoss War, Braço direito do Rei Beld (Rei de Marmo e inimigo de praticamente todos os outros reinos de Lodoss), que assume seu lugar após a morte do Rei Beld.

3º Humanize seu antagonista
Pode parecer “chover-no-molhado” dizer isto, mas faz sentido, pense assim um antagonista frio e sem nenhuma veracidade é descartável, não cria nenhuma empatia com os participantes.

Tente atribuir sentimentos humanos ao antagonista como honra, paixão, amor, piedade, raiva, apatia (Até mesmo a frieza do Dr. Spooc é uma demonstração de características que podem tornar um personagem marcante).

Não é porque ele é mau que ele não gosta de nada ou não é capaz de demonstrar sentimentos bons.

Esta dica pode ser muito bem aproveitada em relação às motivações mostradas acima. Pense nas combinações.

Como no caso de Alexia, ela não é má a ponto de causar sofrimento aos outros a troco de nada, mas está disposta a sacrificar uma cidade inteira (e quem sabe mais) só para satisfazer seu plano pessoal de vingança.

Exemplos podem ser:
– Um Guerreiro Implacável (Ou ladrão inescrupuloso), mas que não suporta maus tratos contra crianças.
– Um Samurai Honrado que permite que os inimigos de seu Mestre partam em paz para pagar uma divida de honra que tinha para com eles.
– O Ex-amigo de um dos personagens que coloca em risco a sua vida e sua posição para ajudar o antigo amigo.
4º Dificultar o confronto.

Muitos jogadores talvez não conheçam a sutileza de um antagonista.

Ou Dependendo do personagem e de suas motivações eles serão devotados a eliminar o antagonista.

Então cabe ao Mestre a difícil missão de tentar prolongar a vida do antagonista e fazer ele ser uma pedra constante no sapato dos jogadores e personagens.

– Antagonista poderoso, a mais básica das idéias (e também a mais chata).
O antagonista simplesmente é mais poderoso do que os outros personagens e só vão conseguir enfrentá-lo quando ficarem mais fortes, dispuserem de melhores recursos ou aliados.

Isto invariavelmente causa frustração nos jogadores, por isso nem sempre é uma boa opção, mas pelo menos em ultimo recurso ela funciona.
– Impedimento prático
Tente pensar no ponto de vista prático:

* Você não pode matar uma pessoa à toa (Pelo menos não deveria). Pois isto gera uma punição.
* Você não pode acusar o protegido do Príncipe sem provas de que ele seja um traidor.
* Você não pode atacar um diplomata em missão sem que haja represarias.

A Chave aqui é usar de argumento prático, mas isto não irá impedir os jogadores e personagens de tentar, mas deixe claro para eles que os atos deles podem ter conseqüências bem graves se agirem desta forma.

Lembre a eles que se pego preso e condenado equivale a perder o personagem da mesma forma que morrer nas garras daquele monstro lá na masmorra.

– Impedimento Pessoal
Se o mestre souber trabalhar os tópicos 1 e 3 (Razão e Emoção), muitas vezes os próprios personagens e jogadores terão seus próprios motivos de não desejarem o confronto com o antagonista. (Se os jogadores ficarem com aquele “Nó na garganta” quando este antagonista morrer eu tiro meu chapéu para você.)

Um outro exemplo de impedimento pessoal seria se o antagonista tivesse algum grau de parentesco ou envolvimento afetivo com o personagem. Vale tudo Pai contra filho (Dart Vader e Luke, Arthur e Mordred), Irmão contra irmão (Caim e Abel, Ruth e Raquel(Eu chuto o balde mesmo)), amante contra amante (Tanis e Kitiara, Cleopatra e Marco Antonio) Honra (O Personagem jurou não atentar contra o Antagonista), etc.

– Faça o Antagonista estar sempre a dois passos dos Personagens e Jogadores.
Caso o Antagonista seja mais ou tão esperto quanto os Personagens faça com que ele antecipe certas deduções óbvias.

* Reforce as defesas durante a Noite (ou Dia) apenas para parecer que ele já estava esperando um ataque naquele horário.
* Caso estejam seguindo o mesmo objetivo faça com que o antagonista chegue e parta antes dos personagens.
* Caso os Personagens e Jogadores utilizem uma certa tática com relativa freqüência crie uma oportunidade do Antagonista já ter esta informação e preparar uma contra-tática.
* Deixe sempre uma rota de fuga a mais para o Antagonista se safar caso seja necessário.
* Mesmo que estas ações não sejam realmente antecipadas o mestre pode com um bom jogo de cintura, perceber uma falha no plano dos Personagens e Jogadores e agir como se o Antagonista já estivesse esperando por aquilo.

– Faça a Sorte (Trapaça do mestre), conspirar a favor do antagonista.
Utilize os privilégios de ser mestre na hora de narrar.

* Jogue dados atrás do escudo.
* De bônus especiais ao antagonista, mas não deixe os jogadores saberem de onde eles vêm.
* Faça os Ajudantes do Antagonista estarem passando pelo local bem na hora que os Personagens armaram a emboscada contra ele.
* Faça com que o desmoronamento ou explosão acabe impedindo os personagens de seguirem pelo mesmo caminho do antagonista.

O Legal é tentar não forçar a barra. Seja natural em momento algum se desespere (expressão corporal e cara-de-jogador é tudo), finja que estava tudo nos seus planos.

OBS1: Em algumas ocasiões pode ocorrer de os jogadores terem um desempenho (ou Idéia), muito bom, então nada mais justo do que dar uma chance de vitória justa para eles. O Interessante é muitas vezes deixar os jogadores levarem a melhor de vez em quando e depois fazer o Antagonista dar a volta novamente.
Exemplo: Os personagens conseguem prender o Antagonista, mas depois em uma ação ousada ele consegue escapar, mas acaba deixando para trás seu precioso item mágico (Tudo bem se o mestre der outro mais forte para ele depois, mas a sensação de vantagem dos jogadores já está assegurada).

OBS2: Em todos os casos de Impedimentos do confronto é imprescindível o Mestre usar de sutileza, pois se os Jogadores perceberem que o mestre está “roubando”, ele irá perder toda a credibilidade alem de causar desinteresse por parte dos personagens e jogadores. Agora se eles acharem que falharam porque tiverem uma pequena má sorte nos dados, ou porque o antagonista realmente antecipou a ação deles (ou seja, acharem que isto fazia parte da história), ou porque os métodos de defesa do antagonista são realmente eficientes. Irá criar um certo grau de fascínio e interesse por parte dos Personagens e jogadores também.

5º Caso tudo Falhe…

Você gasta Tempo, neurônios e talento para criar um Antagonista Interessante só para o Personagem psicopata do grupo matá-lo logo no primeiro encontro? Simples dê o troco e mate o personagem dele também. (Tá bom, tá bom vou dar outras dicas…).

– Método “O que os ouvidos não ouvem o cérebro não reconhece” (Trocadilhos Toscos SA)
Caso você perca um Antagonista com potencial facilmente, nem tudo está perdido, principalmente se você ainda não tinha revelado nada sobre ele, basta colocar outro com a mesma história e é provável que os jogadores nem percebam. Basta mudar apenas os detalhes (geralmente físicos) e conservar a mesma história.

Caso você tenha apresentado apenas o básico da história e dos objetivos, use outro Antagonista parecido. Exemplo: afinal todos os membros de uma mesma Região/Religião/Cultura, têm hábitos e convicções parecidos.

– Método Jiraia
Se você derrotou o 14º Membro/Descendente da família do Clã do Percevejo Caolho, então prepare-se para enfrentar o 15º Membro/Descendente da família do Clã do Percevejo Caolho.

Lembre-se que um Reino/Igreja dispõem de vários agentes, uma família pode ter muitos membros. Caso você mate um Antagonista você pode ter que enfrentar seu irmão (Ikki?), seu pai, seu filho, sua esposa entre várias opções.

– Método Ghost. “Inimigo bom é inimigo morto, às vezes nem este…” – Autor Anônimo.
Quem disse que o Antagonista morreu e acabou o problema. Se o antagonista morrer ele pode voltar como um morto-vivo.

Caso o antagonista caia em um poço cheio de produtos químicos ou algum tipo de portal mágico desconhecido, ele pode retornar com algum tipo de superpoder, uma aberração mágica ou um meio-demônio.

A Criatividade é o Limite!

– Método Newton (Toda Ação gera uma Reação)
Faça com que os próximos antagonistas apareçam devido a uma ação dos personagens.

Por exemplo, se os personagens ignoraram um pedido de ajuda para seguir um curso de ação “mais urgente”, faça com que a pessoa que pediu ajuda e perdeu todos os entes queridos se torne um obsessivo em arruinar os personagens.

Exemplos práticos: JJ do Jornal do Homem-Aranha, Eddie Brock (Venon), Duende Verde (O Homem-aranha é mestre em ter antagonistas interligados).

Bom jogo e Boas Histórias!

  1. Jeferson "Shin" Leite Borges disse:

    Muito bom mesmo!

    Eu uso poucos antagonistas, mas cada antagonista é profundamente explorado. Nessa minha atual campanha os personagem estão com um Antagonista muito em particular, um Misto entre Troll e Orc, e um Elfo Negro (Drow) que ninguem sabe em qual lado está.

    Entre todas as coisa já descobriram que o Troll Orc era um aliado e o Elfo Negro é um excelente informante.

    No mais antagonistas são uma parte muito interessante de qualquer enredo! Continue assim!

    Cya

  2. Gun Hazard disse:

    Obrigado e seja bem vindo…

  3. abimael disse:

    muito bom, estava procurando como criar um bom (mal) antagonista para o livro que estou escrevendo, ajudou muito. obrigado